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Igreja Presbiteriana Unida diz que Feliciano não tem preparo teológico
O
Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU)
divulgou uma nota a respeito da polêmica envolvendo o deputado federal
pastor Marco Feliciano (PSC-SP) que foi eleito como presidente da
Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e tem sido acusado de
racismo e homofobia.
O texto defende a democracia e não apoia a
tentativa de cercear a liberdade de expressão por meio do uso da
violência física ou verbal, mas não considera o deputado evangélico
preparado para ocupar o posto na CDHM.
“O deputado Marco Feliciano
defende uma agenda política própria, que interessa a um grupo restrito
de brasileiros, muitos deles denominados evangélicos”, diz trecho da
carta.
A Igreja deixa claro que não há uma pessoa ou entidade que
represente todos os evangélicos do Brasil e diz que lamenta o despreparo
teológico de Feliciano no que diz respeito a origem dos africanos.
A
IPU alerta “que, não obstante reconheça que o eleitorado do deputado
Marco Feliciano seja composto por evangélicos, nega que ele, ou qualquer
político, bloco parlamentar ou partido, represente todos os evangélicos
brasileiros e lamenta seu despreparo teológico, vergonhosamente
demonstrado na sua defesa da interpretação da origem dos povos africanos
e no desconhecimento e desrespeito aos direitos das minorias.”
“O
CC-IPU conclama o povo de Deus que se reúne nesta igreja que se una em
oração e esforços, para que tenhamos uma sociedade brasileira justa, em
que todos os cidadãos e cidadãs tenham seus direitos e liberdades
individuais respeitados e que, cada vez mais, pelo nosso testemunho de
verdadeiro amor cristão, mais e mais vidas venham ao pleno conhecimento
da Verdade, a saber Jesus Cristo, Nosso Senhor.”
Leia na íntegra:
O
Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – CC-IPU
torna público seu pronunciamento a respeito da recente discussão em
torno da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da
Câmara dos Deputados ocupada pelo deputado Marco Feliciano.
Este pronunciamento é consequência do coerente histórico desta igreja, herdeira da Reforma Protestante, ramo presbiteriano originário do trabalho missionário do Reverendo Ashbel Green Simonton, em 1859, fundador do presbiterianismo no Brasil. A IPU se originou de homens e mulheres, pastores e leigos sob a perseguição eclesiástica e política instaurada no Brasil a partir da década de 1960, que ceifou vidas de pastores e de leigos ministros religiosos e eclesianos. Dentre seus membros de primeira hora, conta-se o Reverendo Jaime Wright, defensor incondicional dos direitos humanos e participante do projeto “Brasil: Nunca Mais”, junto com Dom Paulo Evaristo Arns.
Este pronunciamento é consequência do coerente histórico desta igreja, herdeira da Reforma Protestante, ramo presbiteriano originário do trabalho missionário do Reverendo Ashbel Green Simonton, em 1859, fundador do presbiterianismo no Brasil. A IPU se originou de homens e mulheres, pastores e leigos sob a perseguição eclesiástica e política instaurada no Brasil a partir da década de 1960, que ceifou vidas de pastores e de leigos ministros religiosos e eclesianos. Dentre seus membros de primeira hora, conta-se o Reverendo Jaime Wright, defensor incondicional dos direitos humanos e participante do projeto “Brasil: Nunca Mais”, junto com Dom Paulo Evaristo Arns.
Em vista desses fatos, o CC-IPU:
1 – Afirma:
• A democracia representativa é a forma de governo que melhor se aproxima do ideal em um mundo desequilibrado e injusto; • É essencial o respeito às instituições democráticas, que só o serão se reguladas por legislação justa, equilibrada e sensata; • Não ser compatível com a democracia o cerceamento da palavra e o uso da violência física ou verbal; • A
todos os políticos eleitos cabe o direito de exercer o mandato em sua
plenitude, trabalhando dentro das responsabilidades que lhes forem
outorgadas por voto popular e dos seus pares.
2 – Esclarece à sociedade em geral:
• Que
a igreja protestante, mais conhecida pelo termo “evangélica”, é um dos
três grandes ramos da Igreja de Jesus Cristo, composta por todos/as
aqueles/as que O reconhecem como Senhor e Salvador. Este ramo nasceu com
a Reforma do século XVI, que fez originar uma ampla diversidade de
comunidades de fé autônomas, que, paralelamente às semelhanças, têm
posturas teológicas divergentes em assuntos não centrais; • Que
não há, no Brasil, nenhuma entidade ou associação que represente ou
fale em nome de todas as igrejas descendentes da Reforma e que não há
nenhum político nem bloco de políticos, em especial o chamado “Bloco
Evangélico”, autorizado a se pronunciar em nome da Igreja Presbiteriana
Unida do Brasil – IPU ou do conjunto dos/as cristãos/ãs protestantes.
3 – Defende:
• Que
o/a cristão/ã que aceita o mandato político, deve fazê-lo em benefício
do bem comum e não por seu interesse pessoal ou de suas próprias
estruturas eclesiásticas, o que lamentavelmente não se pode verificar
nas chamadas operações Sanguessuga, Entre Irmãos e Pandora, nas quais se
verificou a presença de deputados intitulados evangélicos; • Que
a ética cristã deve ser explicada e proposta democraticamente como
alternativa e jamais imposta, pois, para o cristão, ela é uma
consequência natural de sua opção religiosa, do novo nascimento,
livremente abraçada como resposta à Graça divina; • Que os
princípios religiosos das diversas igrejas cristãs devem ser respeitados
e suas cerimônias litúrgicas devam ser imunes à interferência estatal
ou de pessoas alheias a estes princípios e que seus ministros religiosos
não venham a ser vítimas da violência de agirem contra suas próprias
consciências.
4 – Alerta:
• Que o deputado
Marco Feliciano defende uma agenda política própria, que interessa a um
grupo restrito de brasileiros, muitos deles denominados evangélicos; • Que,
embora qualquer deputado tenha o direito de exercer a presidência da
Comissão de Direitos Humanos e Minorias, considera-o sem condições
políticas para o pleno exercício deste cargo; • Que, não
obstante reconheça que o eleitorado do deputado Marco Feliciano seja
composto por evangélicos, nega que ele, ou qualquer político, bloco
parlamentar ou partido, represente todos os evangélicos brasileiros e
lamenta seu despreparo teológico, vergonhosamente demonstrado na sua
defesa da interpretação da origem dos povos africanos e no
desconhecimento e desrespeito aos direitos das minorias.
O
CC-IPU conclama o povo de Deus que se reúne nesta igreja que se una em
oração e esforços, para que tenhamos uma sociedade brasileira justa, em
que todos os cidadãos e cidadãs tenham seus direitos e liberdades
individuais respeitados e que, cada vez mais, pelo nosso testemunho de
verdadeiro amor cristão, mais e mais vidas venham ao pleno conhecimento
da Verdade, a saber Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Este Pronunciamento poderá ser revisto ou revogado pela Assembleia Geral da IPU.
Vitória/ES, 19 de abril de 2013.
Vitória/ES, 19 de abril de 2013.
Presbª Anita Sue Wright Torres – Moderadora Rev. Dagoberto Santos Pereira – Vice-Moderador Presb. Wertson Brasil de Souza – 1º Secretário Rev. Luciano Fuly – 2º Secretário Presb. Obadias Alves Ferreira – Tesoureiro
Fonte/Gospel Prime