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Em Manaus (AM), uma proposta do vereador Carlos Alberto (PTB), que
pede a inclusão de eventos culturais evangélicos no calendário municipal
e o repasse de recursos da Fundação Municipal de Artes e Cultura
(Manauscult) para a realização dos mesmos, causou polêmica e motivou
críticas por parte de artistas locais.
De acordo com o G1, a emenda à lei aprovada na Câmara Municipal de
Manaus (CMM) foi sancionada pelo prefeito Artur Neto (PSDB) na edição de
dia 17 de julho do Diário Oficial do Município. O vereador afirma, no
documento, que “o objetivo da lei é proporcionar à grande nação
evangélica de Manaus a possibilidade de desenvolver eventos culturais na
cidade”.
Afirmando se tratar de um desrespeito ao Estado Laico, artistas de
Manaus se reuniram contra a lei, afirmando se tratar de uma medida que
favorece um segmento religioso em detrimento de outros.
- O vereador pontua a religiosidade, mas a proposta dele está pautada
apenas na religião evangélica – afirma a cineasta Keila Serruya.
- Vamos nos reunir para afinar o discurso e decidir o direcionamento
que iremos tomar. É importante dizer que a Manauscult provavelmente já
tinha conhecimento disso e não informou ninguém. Descobrimos por conta
própria – completa.
O cineasta Zeudi Souza também se colocou contra a proposta do
vereador. De acordo com Souza, a emenda A Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) representa uma ameaça aos “princípios morais e
éticos dos artistas que nunca tiveram privilégios por serem evangélicos,
afros, umbandistas etc”.
- Conhecemos bem a história e a intromissão dos evangélicos nas
instituições culturais. Há uma dificuldade de esse vereador entender o
que é cultura, arte e religião – afirma o cineasta, que ainda critica o
vereador afirmando que “ele é eleito para representar o povo, que são
todos aqueles que vivem na cidade e não um nicho religioso que o colocou
no poder”.
- Se eu quiser fazer um longa com R$ 1 milhão, terei que passar por
um edital. Se os evangélicos quiserem um festival de música com o mesmo
valor, irão receber a verba direta – exemplificou o cineasta – que
classificou a lei como “horrenda”.
O diretor teatral Douglas Rodrigues, que integra o Conselho Municipal
de Cultura, afirma que a lei “vai contra toda a produção e a cadeia
produtiva de cultura”. Segundo ele a proposta “retira direitos do
segmento que está lutando por melhores condições de trabalho”, segundo o
G1.
A Manauscult respondeu à polêmica afirmando que responderá a
quaisquer questionamentos a respeito da Lei. O vereador Carlos Alberto
defendeu a proposta durante discurso na Câmara Municipal na última
semana.
- Apresentei a emenda com o propósito de ajudar e contribuir com a
grande nação evangélica. Me orgulho de poder ajudar essa grande nação,
que foi capaz de colocar nas ruas, na ‘Marcha para Jesus’, praticamente 1
milhão de pessoas. E por que não fazer uma emenda para beneficiar
eventos que atraem milhares de pessoas, que pregam a palavra de Deus,
que cura, liberta e abençoa. A minha emenda veio com o propósito de
beneficiar e não prejudicar. A proposta é justa, não tem nada de errado e
por isso foi aprovada, está dentro da lei, do direito que temos de
assim fazer e executar – defende o vereador.
Fonte Gospel+